Caramba, deixei mesmo de escrever em Português! Isso faz com que o cérebro deixe de pensar e subvocalizar na minha lingua materna e passe a fazer em inglês. E o pior ainda: uma mistura de inglês US e UK que eu sabia terem diferenças, mas o que nunca pensei é que fossem tantas.
Muitas mudanças a acontecer na minha vida ao mesmo tempo e o cérebro a criar novas redes neuronais, e eu a descobrir aos poucos que me alimento da mudança. Coisa útil, saber de que é que nos alimentamos mentalmente, e algumas pessoas nem sequer fazem essa viagem de auto-descoberta porque lá no fundo têm medo do que vão encontrar. Ou então, e para ser mauzinho, a maior parte das pessoas alimentam-se das próprias emoções… e às vezes entremeada.
Nem sei por onde começar, mas talvez pelo mal estar de ser usado na frente de batalha. Eu que gosto tanto de estratégia, sempre que me colocam um escudo e uma espada na mão, fico relutante, não porque tenha medo da luta (sou muito homem
), mas porque fico com o amargo de boca de saber que eu iria render mais a mover peças e a prever as movimentações inimigas. E este mal estar é uma espécie de combustivel para mim.
Sei que muita gente se sente assim, mas que no fim do dia tem de fazer o seu trabalho e trazer para casa o pão e por isso vivem amarguradas, azedas e zangadas com tudo à sua volta, porque ninguém quer saber das suas opiniões. E essa revolta pode transformar-se em acção ou resignação.
Na minha vida tenho tido a felicidade de tentar transformar essa sensação em outra coisa antes de chegar à fase de revolta, e cada vez mais tento ser construtivo, mas acreditem que não é nada fácil. Mas pelo menos não engrosso as fileiras das pessoas que se queixam de tudo, mas que nada fazem para mudar.
E depois há as pessoas para quem a mudança é um factor de caos com o qual não conseguem conviver. Eu invejo e desprezo dependendo do que comi ao pequeno-almoço. Invejo porque esta inquietude, este desassossego é desgastante por vezes e tem de se fazer um esforço muito grande para trazer paz ao espirito. Desprezo não num sentido depreciativo, mas apenas ignorando. Tal como ignoramos as pessoas que passam por nós na rua e não conhecemos.
Não é à toa que uma das obras da literatura portuguesa que mais admiro é “O Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa (ou Bernardo Soares como queiram).
Termino precisamente com um excerto desta magnifica obra:
“Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem”.
LMC