Def

21 10 2011

Definitivamente escrever em pt é algo que não tenho feito, e que sinto falta. Mas o mais engraçado é que por passar 90% do tempo a falar outra lingua, começa-se a pensar e a estruturar o raciocinio nessa lingua. É quase como se o cérebro fosse invadido por Inglês. E essa parece que é outra pessoa no inicio. Mas é quando essa pessoa se funde com a que fala pt que as coisas começam a ficar preocupantes. Preocupantes porque deixa-se de conseguir articular bem a lingua materna, misturam-se palavras e para mim o mais preocupante, começo a ter de estruturar as palavras em inglês, traduzo-as na minha cabeça e só depois é que as verbalizo em pt! Parece que tenho interrupções mas na realidade estou a tentar falar sem introduzir nenhum anglicismo nas minhas frases, porque como não gosto de ouvir isso nas outras pessoas, não gosto de repetir o mesmo erro. Mas na realidade é um erro honesto, não é propositado, e a maior parte das pessoas não sabe isso. O mesmo acontece com quem está definitivamente emigrado fora de pt e quando volta nas férias mistura as palavras todas. Eu era uma dessas pessoas que apontava o dedo e agora acontece-me a mim. É praticamente uma confissão: eu luto para falar pt sem anglicismos.
E é isso.





Cérebro: antes e depois

30 07 2011

Caramba, deixei mesmo de escrever em Português! Isso faz com que o cérebro deixe de pensar e subvocalizar na minha lingua materna e passe a fazer em inglês. E o pior ainda: uma mistura de inglês US e UK que eu sabia terem diferenças, mas o que nunca pensei é que fossem tantas.
Muitas mudanças a acontecer na minha vida ao mesmo tempo e o cérebro a criar novas redes neuronais, e eu a descobrir aos poucos que me alimento da mudança. Coisa útil, saber de que é que nos alimentamos mentalmente, e algumas pessoas nem sequer fazem essa viagem de auto-descoberta porque lá no fundo têm medo do que vão encontrar. Ou então, e para ser mauzinho, a maior parte das pessoas alimentam-se das próprias emoções… e às vezes entremeada.

Nem sei por onde começar, mas talvez pelo mal estar de ser usado na frente de batalha. Eu que gosto tanto de estratégia, sempre que me colocam um escudo e uma espada na mão, fico relutante, não porque tenha medo da luta (sou muito homem :-D ), mas porque fico com o amargo de boca de saber que eu iria render mais a mover peças e a prever as movimentações inimigas. E este mal estar é uma espécie de combustivel para mim.
Sei que muita gente se sente assim, mas que no fim do dia tem de fazer o seu trabalho e trazer para casa o pão e por isso vivem amarguradas, azedas e zangadas com tudo à sua volta, porque ninguém quer saber das suas opiniões. E essa revolta pode transformar-se em acção ou resignação.
Na minha vida tenho tido a felicidade de tentar transformar essa sensação em outra coisa antes de chegar à fase de revolta, e cada vez mais tento ser construtivo, mas acreditem que não é nada fácil. Mas pelo menos não engrosso as fileiras das pessoas que se queixam de tudo, mas que nada fazem para mudar.

E depois há as pessoas para quem a mudança é um factor de caos com o qual não conseguem conviver. Eu invejo e desprezo dependendo do que comi ao pequeno-almoço. Invejo porque esta inquietude, este desassossego é desgastante por vezes e tem de se fazer um esforço muito grande para trazer paz ao espirito. Desprezo não num sentido depreciativo, mas apenas ignorando. Tal como ignoramos as pessoas que passam por nós na rua e não conhecemos.

Não é à toa que uma das obras da literatura portuguesa que mais admiro é “O Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa (ou Bernardo Soares como queiram).

Termino precisamente com um excerto desta magnifica obra:

“Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem”.

LMC





Fado

23 06 2010

No domingo fui apanhar ao Martim Moniz o eléctrico da carreira n.º28 que liga com o Cemitério dos Prazeres, e onde estavam 4 fadistas acompanhados à Guitarra Portuguesa e à viola.
Foi uma experiência inesquecivel. Fomos com um casal amigo, mais uma amizade feita com os pais de um colega de turma do Jùnior. Eles os dois também foram, os miudos.
Depois de um lanche no jardim em frente ao cemitério, resolvemos apanhar o eléctrico da carreira n.º28 de volta ao Martim Moniz mas que desta vez já não ía animado com Fado.

Subimos de carro depois à freguesia de Sto Estevão em Alfama, e assim que chegamos ao fundo da Rua dos Remédios, vimos que estavamos a chegar na hora H para um concerto que o fadista Rodrigo ía começar a dar ao ar livre. Foi assim: de rajada duas actuações de fado em menos de 3 horas. Uma no eléctrico e outra na praça. E como não há duas sem três depois de jantar n’A Casa na mesma Rua dos Remédios, lá fomos para outra tasca, onde se ía cantar o fado. Os miudos jogavam à bola nas ruas de Alfama, o fado fluia pelo ar, e os mojitos sempre a rolar.

Foi um dia diferente.





Got to let go

11 05 2010

This lady makes my skin crawl…





Tricky Kid

8 05 2010

Desde há muito tempo que admiro a música de Tricky. Não sou aquilo que se pode dizer um fã, até porque no universo Tricky esse conceito não faz sentido. Agora uma coisa eu sei sobre este génio: como ele só aparecem uns 2 ou 3 por década. A música dele é de tal forma visceral, que se torna quase física. Um manifestação músculada de arte em forma de som. Podia estar aqui a extender-me em analogias mas o facto é que desde meados dos anos 90 até hoje Tricky teve sempre uma palavra a dizer mesmo que o “spotlight” não esteja em cima dele.

Outra das facetas que admiro nele é a capacidade de ter sempre vozes femininas diferentes em cada disco, mas isso já é também influência da sua vida pessoal que sempre foi muito agitada.

Da sua extensa discografia aconselho a aquisição de todos os discos, não tenho um disco favorito, isto porque de todos eles tirei algo. Se tivesse que nomear um seria Blowback, mas gosto muito de todos os outros.

Agora para saberem o que é que ele anda a fazer podem sempre ir ao myspace dele:

http://www.myspace.com/trickola

They used to call me tricky-kid
I live the life they wish they did
I live the life, don’t own a car
Now they call me superstar





JetLag

2 05 2010

Em Janeiro estive na Irlanda e em Abril fiquei preso em Berlim. Hotel Carton no primeiro, e Hotel Radisson Blu no segundo. Quando voltei estive a preparar um evento que aconteceu no Hotel Sana e nesse mesmo dia viajei para o Porto onde fiquei no Hotel Eurostars das Artes. Se incluir  o comboio-hotel que apanhei de Zurique para Barcelona, então o ramalhete fica composto. Aeroportos então tem sido uma colecção: Lisboa, Dublin, Frankfurt, Tegel, Madrid e Porto.

O sentimento de confusão é grande.

Sinto quase como se estivesse no meio de um jetlag emocional e não físico. Este sentimento é um poderoso catalizador de mudança, e os seus efeitos são mais positivos que negativos dado que substituem a ansiedade natural do dia-a-dia, por um alheamento que muitas vezes nós os latinos confundimos com calma. E esta calma é viciante porque nos consegue tirar do nosso corpo e ver tudo sobre outra perspectiva.

Se juntarmos os químicos poderosos de MMS e Walshmau então a mistura é explosiva.





Farto de …

7 03 2010




Life Aquatic with Steve Zissou

17 02 2010

Descobri este filme depois da entrevista na TSF do Seu Jorge. A banda sonora com as versões de David Bowie é fenomenal (serão mais adaptações porque apenas a música é a mesma, dado que as letras foram alteradas).

Mas como se a banda sonora não fosse arrasadora, o filme é uma autêntica perola. É um hino ao cinema, com uma palete de emoções tão variada, que fazem deste um sério candidato a filme da vida de alguém.





Está escolhido o melhor disco de 2010: “Contra” de Vampire Weekend

14 02 2010

Não é coincidência. Vampire Weekend fazem parte de um circulo Nova Iorquino de onde vem neste momento alguma da melhor música do mundo. O circulo que inclui ainda os Dirty Projectors, os fantásticos Discovery (cujo disco “LP” foi para mim o melhor disco do ano passado) e ainda os Ra Ra Riot.

Na mais recente versão do popular jogo “Guitar Hero”, a versão 5, inclui um tema do primeiro disco dos Vampire Weekend, “A-Punk”. É a música favorita do meu filho. E atenção muita atenção: é do primeiro álbum dos Vampire. Quantas são as bandas de cujos primeiros a equipa de selcção do Guitar Hero escolhe temas? Acho que os Vampire são os primeiros.

Beattles na via láctea, David Bowie na Galáxia, Prince no Universo, Radiohead no céu, e Vampire Weekend na terra.





Skinny Puppy – Smothered Hope

29 01 2010

One of my favourite bands from all time!








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